Poetisa Neide Rodrigues
Oásis dos Versos e das Emoções
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links

1111-2026 - A MÚSICA SEM IRMANDADE 

  

A MÚSICA SEM IRMANDADE 

1 

Eu vou cantar pra vocês 

Uma história verdadeira, 

De um povo que tem talento 

Pra animar qualquer feira, 

Mas que por pura inveja 

Não ajuda nem na beira. 

  

2 

São músicos de viola, 

De zabumba ou de clarim, 

Cantam bonito sozinhos, 

Mas não ajudam a mim, 

Se o outro tá sem o pão 

Dizem logo: “Pobre, sim!” 

  

3 

O cabra chega animado 

Pra tocar no mesmo palco, 

Mas o outro diz por dentro: 

“Que ele quebre o seu talco!” 

E se puder atrapalhar 

Ainda faz sem dar um calço. 

  

4 

Vi sanfoneiro famoso 

Negar som pro colega, 

O microfone escondia, 

E o riso dele era brega, 

Pois alegria de um 

É a tristeza que ele carrega. 

  

5 

Tem cantor que se acha dono 

De toda nota e canção, 

Mas quando precisa ajuda 

Vai implorar pro irmão, 

E esquece a arrogância 

Que mostrou na ocasião. 

  

6 

Já vi zabumbeiro bom 

Ser deixado na calçada, 

Porque o “chefe da banda” 

Só queria sua fachada, 

E o som sem a zabumba 

Ficou feito sopa aguada. 

  

7 

Um pandeiro bem batido 

Puxa o povo pra dançar, 

Mas se o pandeirista falta 

Ninguém vai lhe procurar, 

Só lembram que ele existe 

Se o cachê for pra pagar. 

  

8 

No forró ou no baião 

O respeito é melodia, 

Mas se falta companheiro 

O outro finge alegria, 

E toca sozinho no canto 

Pra mostrar “que não dependia”. 

  

 

 

9 

Tem gente que não suporta 

Ver o outro aplaudido, 

Se o público bate palma 

Fica logo enfurecido, 

Com cara de quem chupou 

Um limão mal curtido. 

  

10 

Já vi até guitarrista 

Mexer no som do colega, 

Baixar o volume dele 

Pra ver se a fama nega, 

E depois posar de santo 

Na foto que o povo pega. 

  

11 

Mas quem nasceu pra tocar 

Tem que saber partilhar, 

O som é mais bonito 

Quando as vozes vão somar, 

Se não tiver união 

A música vai murchar. 

  

12 

Tem cantor que só sorri 

Quando é ele a brilhar, 

Mas se outro ganha destaque 

Começa logo a cortar, 

E inventa tanta história 

Pra o parceiro desmoralizar. 

  

 

 

13 

Já vi no sertão profundo 

Um violeiro se perder, 

Porque o amigo famoso 

Não quis com ele viver, 

Preferiu tocar sozinho 

Pra ninguém lhe crescer. 

  

14 

E se você tá pensando 

Que isso é só no sertão, 

Saiba que na capital 

Tem músico sem coração, 

Que joga contra o colega 

Na frente da multidão. 

  

15 

Vi baterista esconder 

As baquetas do parceiro, 

E na hora do ensaio 

Dar risada de primeiro, 

Feito menino danado 

Que apronta no terreiro. 

  

16 

No mundo da cantoria 

Já vi tanto ego inflado, 

Que mais parecia balaio 

Cheio de gato enfiado, 

Cada um pronto a arranhar 

Pra sair mais destacado. 

  

 

 

17 

Já vi cantor veterano 

Não deixar novato entrar, 

Dizendo que o “público dele” 

Não podia misturar, 

Como se música tivesse 

Porta pra trancar. 

  

18 

E os que dizem “irmãozinho” 

Na frente de todo mundo, 

Mas por trás vivem furando 

E no ciúme se afundo, 

São piores que cupim 

Roendo tronco profundo. 

  

19 

Eu já cantei em evento 

Que era pra ser união, 

Mas vi gente tapear 

E trocar a programação, 

Só pra aparecer mais 

Na filmagem da estação. 

  

20 

Tem uns que fingem ajudar 

Mas querem mesmo é mandar, 

Se o outro não obedecer 

Começam logo a cortar, 

E se preciso inventam 

Motivo pra derrubar. 

  

 

 

21 

Na roda de violão 

Já vi coisa desonesta, 

Um afinava pro outro 

Só pra desafinar na festa, 

E depois culpar o colega 

Dizendo que não presta. 

  

22 

Cantor que diz “companheiro” 

E depois toma seu show, 

Tá pior que o vento forte 

Que derruba o que plantou, 

Esquece que no futuro 

Colhe só o que semeou. 

  

23 

No sertão ou na cidade 

Músico bom é aquele 

Que chama o outro pra junto 

E canta o que ele pede, 

Pois talento de verdade 

Nunca teme quem sucede. 

  

24 

Já vi no pé de serra 

Sanfonista mascarado, 

Que se acha dono do som 

E do povo apaixonado, 

Mas quando o fole rasga 

Fica triste e isolado. 

  

 

 

25 

Tem gente que só respeita 

Quem tá com fama na praça, 

Mas esquece que a sanfona 

Sem zabumba perde a graça, 

E que a música é mais forte 

Quando o conjunto abraça. 

  

26 

Um bom cantor de repente 

Pode perder a voz, sim, 

E quem ele desprezou 

Pode ser quem lhe salve, enfim 

Por isso trate o colega 

Como se fosse o seu rim. 

  

27 

Já vi baixista sumir 

Só pra banda não tocar, 

E depois se oferecer 

Pra “salvar” no mesmo lugar, 

Mas na verdade queria 

Era se aproveitar. 

  

28 

No pagode e no choro 

Tem também falsidade, 

Gente que diz ser parceiro 

Mas é pura vaidade, 

E se o outro se destaca 

Vem logo com crueldade. 

  

 

 

29 

Uma vez em Mossoró 

Vi coisa de envergonhar, 

Cantor tirou a tomada 

Pra outro não se apresentar, 

E ainda disse sorrindo: 

“Foi só pra economizar!” 

  

30 

Tem quem fale que é artista 

Mas não tem alma nem luz, 

Esquece que o dom maior 

É aquele que vem de Jesus, 

E que quem não tem amor 

Não acompanha a sua cruz. 

  

31 

Já vi gente boa chorar 

Por causa de um companheiro 

Que prometeu dividir 

E depois negou dinheiro, 

Deixando o pobre a pé 

Voltando triste ao terreiro. 

  

32 

Cantoria é como roça, 

Se planta junto é fartura, 

Mas se um come sozinho 

A colheita não dura, 

E o campo vira deserto 

De tristeza e amargura. 

  

 

 

33 

Na festa de Padroeiro 

Tem sempre um “rei do pedaço”, 

Que só deixa subir no palco 

Quem lhe paga algum abraço, 

E quem não agrada ele 

Vai tocar lá no terraço. 

  

34 

Já vi cantor se esconder 

Pra não emprestar corda, 

E depois na procissão 

Posar de santo na borda, 

Mas Deus sabe o que é falso 

E o que é gente que acorda. 

  

35 

A música é um presente 

Que Deus mandou repartir, 

Não foi pra ser guardada 

Nem pra servir de atrair, 

Quem usa só pro seu nome 

Vai cedo se destruir. 

  

36 

Já vi clarineto sumir 

Na hora da apresentação, 

E o dono, que era famoso, 

Fez cara de negação, 

Mas foi ele que escondeu 

Pra roubar a atenção. 

  

 

 

37 

Na feira de Caruaru 

Vi trombone sem tocar, 

Pois o dono se zangou 

Com quem ia acompanhar, 

E preferiu ver o show 

Parado sem funcionar. 

  

38 

Tem uns que gostam de ver 

O outro desafinar, 

Pra depois ir cochichando 

E tentar desmoralizar, 

Mas Deus escuta o que é limpo 

E sabe o que vai julgar. 

  

39 

Já vi cantor veterano 

Negar palco a aprendiz, 

Dizendo que o novato 

Podia estragar a matriz, 

Mas esqueceu que ele mesmo 

Foi novato e foi feliz. 

  

40 

Se o músico não divide 

O que sabe e o que tem, 

Acaba perdendo tudo 

E não aprende com ninguém, 

Pois quem fecha o seu ouvido 

Fecha a bênção também. 

  

 

 

41 

Já vi maestro famoso 

Esconder partitura, 

Só pra banda errar o tom 

E cair na desventura, 

Mas o público percebe 

Quem é falso na postura. 

  

42 

Cantor que pisa no outro 

Tá pisando na canção, 

E o som que sai de um ego 

Não tem vida nem paixão, 

É feito rio barrento 

Que só causa inundação. 

  

43 

Já vi na beira da praia 

Músico negar cadeira 

Pra colega se sentar 

E afinar sua madeira, 

Só pra deixar o outro 

De pé feito bananeira. 

  

44 

No sertão vi um cantor 

Que só tocava se o show 

Fosse todo em seu nome, 

Sem dividir o apogeu, 

E dizia que o sucesso 

Era tudo que era seu. 

  

 

 

45 

O músico de verdade 

Não teme concorrência, 

Porque sabe que o talento 

Vem de Deus com paciência, 

E quem divide o palco 

Só aumenta a influência. 

  

46 

Já vi trio se quebrar 

Por causa de uma mulher, 

E no meio da disputa 

A banda perdeu o que é, 

Pois amor de vaidade 

Não faz música de fé. 

  

47 

Tem músico que não presta 

Se não for pra mandar, 

E se vê outro crescendo 

Começa logo a cortar, 

Esquece que cada estrela 

Tem seu tempo pra brilhar. 

  

48 

Já vi cantor tirar foto 

Abraçado no irmão, 

Mas por trás fazia intriga 

E armava confusão, 

Só pra tomar o lugar 

No próximo bailão. 

  

 

 

49 

O pior não é perder 

O amigo ou o show, 

É perder a confiança 

Que um dia já plantou, 

E ficar sozinho e triste 

Com o que ele mesmo armou. 

  

50 

Tem músico que é cigarra 

Cantando só pra si, 

Enquanto a formiga luta 

Pra que o grupo não caia ali, 

Mas a vida cobra cedo 

Do que canta sem dividir. 

  

51 

No sertão vi maestro 

Fechar o livro no meio, 

Pra ninguém aprender mais 

E seguir o seu esteio, 

Mas o aluno inteligente 

Vai além do seu rodeio. 

  

52 

Já vi cantor se negar 

A emprestar o violão, 

Mesmo vendo o companheiro 

Sem ter outro na mão, 

Mas depois pedir ajuda 

Quando passa precisão. 

  

 

 

53 

Tem banda que se desmancha 

Por causa de um só sujeito, 

Que não aceita conselho 

Nem respeita outro direito, 

E no fim sobra tristeza 

E um silêncio sem proveito. 

  

54 

Cantor que vive sozinho 

Não constrói comunidade, 

Pois música é partilha, 

É amor, é irmandade, 

E sem isso o som se perde 

No vazio da vaidade. 

  

55 

Já vi cantor inventar 

Mentira sobre parceiro, 

Só pra tomar o seu lugar 

E se mostrar por inteiro, 

Mas quem sobe por maldade 

Cai de um jeito ligeiro. 

  

56 

Tem músico que só lembra 

Do outro quando precisa, 

Mas no dia da fartura 

Vira as costas e se avisa, 

E esquece que amanhã 

A vida é quem fiscaliza. 

  

57 

Na cantoria aprendi 

Que quem ajuda é ajudado, 

E que o som mais bonito 

É do povo misturado, 

Cada um dando seu tom 

Pro conjunto abençoado. 

  

58 

A lição que eu deixo aqui 

É pra todo violeiro: 

Divida palco e respeito, 

Ajude o seu companheiro, 

Pois música sem amizade 

Não passa de som grosseiro. 

  

59 

Seja sanfona ou pandeiro, 

Violino ou rabecão, 

Todo som fica mais forte 

Quando junto é que estão, 

Pois a força da música 

É a força da união. 

  

60 

E assim termino o cordel 

Falando a pura verdade: 

Quem divide multiplica 

O valor da amizade, 

E quem ajuda o irmão 

Canta sempre de vontade. 

CORDEL DA DESARMONIA: A MÚSICA SEM IRMANDADE

1

Eu vou cantar pra vocês

Uma história verdadeira,

De um povo que tem talento

Pra animar qualquer feira,

Mas que por pura inveja

Não ajuda nem na beira.

2

São músicos de viola,

De zabumba ou de clarim,

Cantam bonito sozinhos,

Mas não ajudam a mim,

Se o outro tá sem o pão

Dizem logo: “Pobre, sim!”

3

O cabra chega animado

Pra tocar no mesmo palco,

Mas o outro diz por dentro:

“Que ele quebre o seu talco!”

E se puder atrapalhar

Ainda faz sem dar um calço.

4

Vi sanfoneiro famoso

Negar som pro colega,

O microfone escondia,

E o riso dele era brega,

Pois alegria de um

É a tristeza que ele carrega.

5

Tem cantor que se acha dono

De toda nota e canção,

Mas quando precisa ajuda

Vai implorar pro irmão,

E esquece a arrogância

Que mostrou na ocasião.

6

Já vi zabumbeiro bom

Ser deixado na calçada,

Porque o “chefe da banda”

Só queria sua fachada,

E o som sem a zabumba

Ficou feito sopa aguada.

7

Um pandeiro bem batido

Puxa o povo pra dançar,

Mas se o pandeirista falta

Ninguém vai lhe procurar,

Só lembram que ele existe

Se o cachê for pra pagar.

8

No forró ou no baião

O respeito é melodia,

Mas se falta companheiro

O outro finge alegria,

E toca sozinho no canto

Pra mostrar “que não dependia”.

9

Tem gente que não suporta

Ver o outro aplaudido,

Se o público bate palma

Fica logo enfurecido,

Com cara de quem chupou

Um limão mal curtido.

10

Já vi até guitarrista

Mexer no som do colega,

Baixar o volume dele

Pra ver se a fama nega,

E depois posar de santo

Na foto que o povo pega.

11

Mas quem nasceu pra tocar

Tem que saber partilhar,

O som é mais bonito

Quando as vozes vão somar,

Se não tiver união

A música vai murchar.

12

Tem cantor que só sorri

Quando é ele a brilhar,

Mas se outro ganha destaque

Começa logo a cortar,

E inventa tanta história

Pra o parceiro desmoralizar.

13

Já vi no sertão profundo

Um violeiro se perder,

Porque o amigo famoso

Não quis com ele viver,

Preferiu tocar sozinho

Pra ninguém lhe crescer.

14

E se você tá pensando

Que isso é só no sertão,

Saiba que na capital

Tem músico sem coração,

Que joga contra o colega

Na frente da multidão.

15

Vi baterista esconder

As baquetas do parceiro,

E na hora do ensaio

Dar risada de primeiro,

Feito menino danado

Que apronta no terreiro.

16

No mundo da cantoria

Já vi tanto ego inflado,

Que mais parecia balaio

Cheio de gato enfiado,

Cada um pronto a arranhar

Pra sair mais destacado.

17

Já vi cantor veterano

Não deixar novato entrar,

Dizendo que o “público dele”

Não podia misturar,

Como se música tivesse

Porta pra trancar.

18

E os que dizem “irmãozinho”

Na frente de todo mundo,

Mas por trás vivem furando

E no ciúme se afundo,

São piores que cupim

Roendo tronco profundo.

19

Eu já cantei em evento

Que era pra ser união,

Mas vi gente tapear

E trocar a programação,

Só pra aparecer mais

Na filmagem da estação.

20

Tem uns que fingem ajudar

Mas querem mesmo é mandar,

Se o outro não obedecer

Começam logo a cortar,

E se preciso inventam

Motivo pra derrubar.

21

Na roda de violão

Já vi coisa desonesta,

Um afinava pro outro

Só pra desafinar na festa,

E depois culpar o colega

Dizendo que não presta.

22

Cantor que diz “companheiro”

E depois toma seu show,

Tá pior que o vento forte

Que derruba o que plantou,

Esquece que no futuro

Colhe só o que semeou.

23

No sertão ou na cidade

Músico bom é aquele

Que chama o outro pra junto

E canta o que ele pede,

Pois talento de verdade

Nunca teme quem sucede.

24

Já vi no pé de serra

Sanfonista mascarado,

Que se acha dono do som

E do povo apaixonado,

Mas quando o fole rasga

Fica triste e isolado.

25

Tem gente que só respeita

Quem tá com fama na praça,

Mas esquece que a sanfona

Sem zabumba perde a graça,

E que a música é mais forte

Quando o conjunto abraça.

26

Um bom cantor de repente

Pode perder a voz, sim,

E quem ele desprezou

Pode ser quem lhe salve, enfim

Por isso trate o colega

Como se fosse o seu rim.

27

Já vi baixista sumir

Só pra banda não tocar,

E depois se oferecer

Pra “salvar” no mesmo lugar,

Mas na verdade queria

Era se aproveitar.

28

No pagode e no choro

Tem também falsidade,

Gente que diz ser parceiro

Mas é pura vaidade,

E se o outro se destaca

Vem logo com crueldade.

29

Uma vez em Mossoró

Vi coisa de envergonhar,

Cantor tirou a tomada

Pra outro não se apresentar,

E ainda disse sorrindo:

“Foi só pra economizar!”

30

Tem quem fale que é artista

Mas não tem alma nem luz,

Esquece que o dom maior

É aquele que vem de Jesus,

E que quem não tem amor

Não acompanha a sua cruz.

31

Já vi gente boa chorar

Por causa de um companheiro

Que prometeu dividir

E depois negou dinheiro,

Deixando o pobre a pé

Voltando triste ao terreiro.

32

Cantoria é como roça,

Se planta junto é fartura,

Mas se um come sozinho

A colheita não dura,

E o campo vira deserto

De tristeza e amargura.

33

Na festa de Padroeiro

Tem sempre um “rei do pedaço”,

Que só deixa subir no palco

Quem lhe paga algum abraço,

E quem não agrada ele

Vai tocar lá no terraço.

34

Já vi cantor se esconder

Pra não emprestar corda,

E depois na procissão

Posar de santo na borda,

Mas Deus sabe o que é falso

E o que é gente que acorda.

35

A música é um presente

Que Deus mandou repartir,

Não foi pra ser guardada

Nem pra servir de atrair,

Quem usa só pro seu nome

Vai cedo se destruir.

36

Já vi clarineto sumir

Na hora da apresentação,

E o dono, que era famoso,

Fez cara de negação,

Mas foi ele que escondeu

Pra roubar a atenção.

37

Na feira de Caruaru

Vi trombone sem tocar,

Pois o dono se zangou

Com quem ia acompanhar,

E preferiu ver o show

Parado sem funcionar.

38

Tem uns que gostam de ver

O outro desafinar,

Pra depois ir cochichando

E tentar desmoralizar,

Mas Deus escuta o que é limpo

E sabe o que vai julgar.

39

Já vi cantor veterano

Negar palco a aprendiz,

Dizendo que o novato

Podia estragar a matriz,

Mas esqueceu que ele mesmo

Foi novato e foi feliz.

40

Se o músico não divide

O que sabe e o que tem,

Acaba perdendo tudo

E não aprende com ninguém,

Pois quem fecha o seu ouvido

Fecha a bênção também.

41

Já vi maestro famoso

Esconder partitura,

Só pra banda errar o tom

E cair na desventura,

Mas o público percebe

Quem é falso na postura.

42

Cantor que pisa no outro

Tá pisando na canção,

E o som que sai de um ego

Não tem vida nem paixão,

É feito rio barrento

Que só causa inundação.

43

Já vi na beira da praia

Músico negar cadeira

Pra colega se sentar

E afinar sua madeira,

Só pra deixar o outro

De pé feito bananeira.

44

No sertão vi um cantor

Que só tocava se o show

Fosse todo em seu nome,

Sem dividir o apogeu,

E dizia que o sucesso

Era tudo que era seu.

45

O músico de verdade

Não teme concorrência,

Porque sabe que o talento

Vem de Deus com paciência,

E quem divide o palco

Só aumenta a influência.

46

Já vi trio se quebrar

Por causa de uma mulher,

E no meio da disputa

A banda perdeu o que é,

Pois amor de vaidade

Não faz música de fé.

47

Tem músico que não presta

Se não for pra mandar,

E se vê outro crescendo

Começa logo a cortar,

Esquece que cada estrela

Tem seu tempo pra brilhar.

48

Já vi cantor tirar foto

Abraçado no irmão,

Mas por trás fazia intriga

E armava confusão,

Só pra tomar o lugar

No próximo bailão.

49

O pior não é perder

O amigo ou o show,

É perder a confiança

Que um dia já plantou,

E ficar sozinho e triste

Com o que ele mesmo armou.

50

Tem músico que é cigarra

Cantando só pra si,

Enquanto a formiga luta

Pra que o grupo não caia ali,

Mas a vida cobra cedo

Do que canta sem dividir.

51

No sertão vi maestro

Fechar o livro no meio,

Pra ninguém aprender mais

E seguir o seu esteio,

Mas o aluno inteligente

Vai além do seu rodeio.

52

Já vi cantor se negar

A emprestar o violão,

Mesmo vendo o companheiro

Sem ter outro na mão,

Mas depois pedir ajuda

Quando passa precisão.

53

Tem banda que se desmancha

Por causa de um só sujeito,

Que não aceita conselho

Nem respeita outro direito,

E no fim sobra tristeza

E um silêncio sem proveito.

54

Cantor que vive sozinho

Não constrói comunidade,

Pois música é partilha,

É amor, é irmandade,

E sem isso o som se perde

No vazio da vaidade.

55

Já vi cantor inventar

Mentira sobre parceiro,

Só pra tomar o seu lugar

E se mostrar por inteiro,

Mas quem sobe por maldade

Cai de um jeito ligeiro.

56

Tem músico que só lembra

Do outro quando precisa,

Mas no dia da fartura

Vira as costas e se avisa,

E esquece que amanhã

A vida é quem fiscaliza.

57

Na cantoria aprendi

Que quem ajuda é ajudado,

E que o som mais bonito

É do povo misturado,

Cada um dando seu tom

Pro conjunto abençoado.

58

A lição que eu deixo aqui

É pra todo violeiro:

Divida palco e respeito,

Ajude o seu companheiro,

Pois música sem amizade

Não passa de som grosseiro.

59

Seja sanfona ou pandeiro,

Violino ou rabecão,

Todo som fica mais forte

Quando junto é que estão,

Pois a força da música

É a força da união.

60

E assim termino o cordel

Falando a pura verdade:

Quem divide multiplica

O valor da amizade,

E quem ajuda o irmão

Canta sempre de vontade.

Neide Rodrigues

Natal, 25 de agosto de 2025

Neide Rodrigues
Enviado por Neide Rodrigues em 04/06/2026
Alterado em 04/06/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários