Cântico da Alma Boa
Neide Rodrigues
Minha alma sabe que é boa,
E não proclama isso à toa:
Reúno amigos no bar,
Entre violões que sabem chorar.
Entre poemas e canções de choro
Que tocam fundo o coração,
Cantamos juntos, em doce coro,
Na mais sincera comunhão.
Há harmonia que transborda,
Pois a alma inteira concorda:
Viver nessa vastidão sonora
É tocar o sopro que nos acorda.
O Dó desperta a esperança,
O Ré nos ensina a andar;
O Mi suspira em confiança,
O Fá nos faz elevar.
O Sol brilha pleno e sereno,
O Lá nos envolve em ternura,
E o Si, em seu gesto supremo,
Promete à alma a eternidade pura.
É música feita de gente,
De afeto, verdade e claridade:
É a alma boa, simplesmente,
compondo a própria felicidade.
Nota:
Cântico da Alma Boa nasce da escuta interior e do convívio simples, onde a música se faz ponte entre afetos. O poema celebra a alegria que brota da comunhão, amigos, instrumentos, vozes, e reconhece na harmonia sonora um espelho da alma quando ela está em paz consigo mesma. Entre acordes e palavras, a alma boa vai compondo a própria felicidade.