1019/2025 - Ardor do Silêncio
Ardor do Silêncio
Leio no teu olhar
o que a boca cala
e a mão treme ao escrever.
Na calada da noite,
debruçada no travesseiro,
meu corpo descansa,
mas o desejo vigia.
Os lençóis estão frios,
pedem tua presença,
chamam-me pelo nome
que só você sabe dizer.
O sono não vem.
Há um calor manso percorrendo a pele,
uma fome contida,
um querer que pulsa devagar,
como quem aprende a esperar
sem deixar de arder.
Penso no que ainda poderíamos viver
se tivéssemos coragem
de soltar as amarras,
de esquecer promessas feitas
quando ainda não sabíamos
o tamanho do abismo entre tocar
e apenas imaginar.
Ensinaram-nos o medo:
que desejar é pecado,
que ceder é queda,
que ouvir o corpo
conduz à condenação.
E seguimos assim,
à beira,
chorando a esperança que não ousa nascer.
Há tanto amor suspenso no ar
que compreendo as tragédias eternas:
Romeu e Julieta,
Tristão e Isolda.
Amores que não couberam no mundo
porque eram intensos demais
para viver só de ausência.
Neide Rodrigues
Neide Rodrigues
Enviado por Neide Rodrigues em 19/01/2026
Alterado em 19/01/2026
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