1018/2025 - Amor Sem Rosto
Amor Sem Rosto
Amei sem ver-te a face, e, ainda assim,
ardeu-me a alma em febre soberana;
não foi da carne o impulso que me quis,
nem da beleza a chama cortesã.
Não era o vulto, o gesto, a forma exata,
nem o desejo em lânguido clamor;
era a presença, etérea e delicada,
que em silêncio ensinou-me o que é amor.
Fui feliz no calor de um simples abraço,
no afeto manso, grave e essencial,
na dádiva de ser, por ti, espaço
onde o sentir fazia-se real.
E assim viveu-se o sonho, enquanto pôde;
não por cansaço, ausência ou desamor,
mas porque a vida, em seu rigor, dispôs
caminhos onde o amor já não coube, senhor.
Como num conto antigo, reescrito em dor,
fomos felizes até o instante extremo:
precisávamos ficar, e, no entanto, o amor
não tinha chão, nem céu, nem tempo.
Neide Rodrigues
Nesta madrugada, 19/01/2026
Neide Rodrigues
Enviado por Neide Rodrigues em 19/01/2026
Alterado em 19/01/2026