Poetisa Neide Rodrigues
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1003/2025 - No Recanto da Memória
No Recanto da Memória
Neide Rodrigues

No recanto da memória, o tempo não obedece aos anos.
Ali, tudo permanece como ficou: sentimentos, silêncios, gestos inacabados. Os anos passaram, cada um seguiu seu caminho, cada um do seu lado. A distância, os acontecimentos, as dores, as injustiças, a inveja, tudo aquilo que um dia pareceu tão grande hoje repousa quieto, como se tivesse parado no tempo, como se nunca tivesse existido.

E o que quero dizer é simples, embora profundo:
desde o momento em que te conheci, em novembro de 2015, o tempo parou para mim.

Hoje percebo que tudo o que senti naquele curto espaço de tempo não mudou.
Sinto o mesmo. Às vezes, acredito até que sinto mais, como se esse sentimento tivesse sido guardado em silêncio e, ainda assim, tivesse crescido.

Tudo entre nós aconteceu depressa.
A proximidade veio antes da dúvida, a afinidade antes do medo.
Cada encontro trazia uma sensação boa, difícil de explicar,
e eu sentia, e ainda sinto, que você também percebia isso.

Agora, olhando com mais calma, é como se o tempo não tivesse passado.
Como se nada tivesse sido capaz de interromper o que nasceu ali.
É estranho esse sentimento voltar, estranho acordar dentro de mim com a mesma força, talvez até maior.

Não sei se você me procurou por vontade própria.
Não sei se alguém te mandou.
Não sei se é destino ou coincidência.

Só sei que, no instante em que você reapareceu, algo em mim despertou —
como se estivesse adormecido, esperando.

E eu tento entender…
Tento encontrar uma justificativa para sentir tudo isso outra vez:
com a mesma rapidez, a mesma intensidade, a mesma verdade.

Será que existe uma?

Ou será que alguns sentimentos simplesmente não precisam de explicação, apenas de um lugar onde possam permanecer?

Neide Rodrigues
Enviado por Neide Rodrigues em 20/12/2025
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