Cordel de Saudade
Da Terra ao Céu, um Beijo
Neide Rodrigues
Quando o Natal se aproxima
E o ano vai se encerrar,
Meu peito fica em silêncio,
O astral começa a baixar.
Vêm lembranças tão antigas
Que me fazem soluçar.
É saudade dos meus pais,
Mas da mãe em especial,
Que foi abrigo e conselho,
Proteção sem nunca igual.
Seu amor era um escudo
Contra o mundo e todo mal.
Ela dava as “porradas”
Que só mãe sabe dar,
Conselhos que doem fundo,
Fazem chorar, machucar.
Dói mais quando a gente sabe:
Ela estava certa ao falar.
Eu chorei por teimosia,
Por não querer consertar,
Por orgulho e por fraqueza,
Por não saber escutar.
Mas hoje entendo o sentido
De tudo que quis ensinar.
Há três anos que me escondo
Dos festejos, reuniões,
Pois a mesa sem seu riso
Reabre antigas emoções.
Datas cheias de saudade,
De silêncios e orações.
Choro agora, mãe querida,
Uma dor que vem da alma,
Saudade que não se explica,
Não se rende, não se embala,
É ausência que persiste
Mesmo quando o tempo acalma.
Mas me consola saber bem
Que foste mãe exemplar:
Nunca largaste um filho,
Nunca deixaste de amar.
Cuidaste de cada um
Como quem nasce pra cuidar.
Superprotetora, inteira,
Viveste só pra nos ver.
Nos teus braços aprendemos
O que é amar, proteger.
Teu legado segue vivo,
Não há como se perder.
Saudades, mamãe querida,
Recebe este beijo meu.
Da terra mando esse afeto
Para o céu que te acolheu.
Amor não morre com a vida,
Vive eterno como o teu.
20/12/2025