A ÚLTIMA ROMÂNTICA
Neide Rodrigues
Sou romântica, talvez uma das últimas, como diz a canção.
E não me culpo: é da minha natureza.
Eu me apaixono, eu me declaro quando preciso, eu demonstro.
Não escondo sentimento algum, porque se eu não falar,
como você saberia?
Sim, eu sofro com a ausência, com a falta de reciprocidade.
Talvez para você seja natural, mas para mim não é.
Eu cobro, eu grito, eu digo, eu não me calo.
Eu amo e digo que amo.
Sinto falta e digo que sinto falta.
E sigo assim: amando, querendo bem,
respeitando o amor e respeitando a mim,
a mulher e a poetisa que sou.
Se você ler esta mensagem, saberá:
é com você que eu falo, que reclamo, que lamento.
É por você que choro.
A ausência dói em quem ama,
porque quem ama sente falta:
do abraço, do bom dia,
do “olá, você está bem?”.
Esses gestos simples, para mim, são tudo,
mas são para poucos românticos, como eu.
Eu realmente acredito no amor.
Acredito nas pessoas.
Acredito na mudança que o amor provoca,
mas só quando lhe dão espaço,
quando abrem o peito e deixam acontecer.