* Estações da Alma
Entre Ficar e Ir
Teu abraço era pouso,
Teu sorriso, claridade.
E minha vida, de tantos caminhos,
Descansava em tua serenidade.
Nossos destinos se encontraram
Como rios na curva da tarde.
E foi talvez nesse encontro
Que nos perdemos sem alarde.
Chegou a hora silenciosa,
Aquela que ninguém quer nomear.
A lua, por mais que se incline,
Não alcança o sol para abraçar.
Pode seguir-lhe o brilho distante,
Guardar sua luz sobre o mar.
Mas há distâncias no universo
Que nenhum desejo pode cruzar.
Assim fomos: um breve eclipse,
Uma luz tocando outra luz.
Um instante feito eternidade,
Além do tempo que nos conduz.
Tentamos reter o que passava,
Como quem segura o vento.
Mas o tempo conhece segredos
Que escapam ao sentimento.
Fomos abrigo, fomos porto,
Fomos riso e direção.
E isso basta para sempre,
Guardado no coração.
Porque certas despedidas
Não nascem da falta de amor.
Nascem da delicadeza
De preservar o seu valor.
E há amores que permanecem
Mesmo depois de partir.
Como estrelas cuja luz continua,
Mesmo depois do dia surgir. .
Neide Rodrigues
Natal, 20 De novembro De 2025