Poetisa Neide Rodrigues
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989/2025 - À Beira de Setúbal

À Beira de Setúbal

por Neide Rodrigues

 

Hoje lembrei de ti, ó Setúbal serena,

que foste, outrora, altar de meus instantes.

Em ti repousam horas tão radiantes,

como a memória antiga que não frena.

 

No fulgor das sardinhas crepitantes,

dos pimentos ao braseiro que flameja,

erguia-se, suave, a luz que peleja

contra o vento e as marés incessantes.

 

À beira do Sado, espelho da tardinha,

eu te fitava, em mudo devaneio,

e o tempo, submisso, detinha o seio

para ouvir-me o coração que ali nascia.

 

Ó Setúbal, guardiã do meu passado,

tua beleza ainda em mim reside;

e em cada lembrança que me divide,

retorna o eco do amor já silenciado.

 

Portugal/2012

Neide Rodrigues
Enviado por Neide Rodrigues em 26/11/2025
Alterado em 26/11/2025
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