À Beira de Setúbal
por Neide Rodrigues
Hoje lembrei de ti, ó Setúbal serena,
que foste, outrora, altar de meus instantes.
Em ti repousam horas tão radiantes,
como a memória antiga que não frena.
No fulgor das sardinhas crepitantes,
dos pimentos ao braseiro que flameja,
erguia-se, suave, a luz que peleja
contra o vento e as marés incessantes.
À beira do Sado, espelho da tardinha,
eu te fitava, em mudo devaneio,
e o tempo, submisso, detinha o seio
para ouvir-me o coração que ali nascia.
Ó Setúbal, guardiã do meu passado,
tua beleza ainda em mim reside;
e em cada lembrança que me divide,
retorna o eco do amor já silenciado.
Portugal/2012