979/2025 - Doce Liberdade
Doce Liberdade
Neide Rodrigues
Talvez, anos atrás, eu tivesse aceitado.
Talvez eu tivesse achado normal
diminuir meus passos,
falar mais baixo,
pedir permissão para existir.
Mas hoje não.
Hoje não cabe mais.
A mulher que eu sou agora
não se encolhe para caber em ninguém.
Eu vivi tempo demais em relações de obediência,
silenciando vontades,
explicando cada gesto,
pedindo desculpas por ser eu.
E um dia, sem aviso,
abri os olhos.
Descobri que a vida é maior
quando a gente anda solta,
quando a alma respira,
quando o coração não precisa pedir licença
para bater.
Eu aprendi a viver sem dar satisfação.
Aprendi a pertencer a mim.
E por mais que o passado volte,
por mais que o coração pulse lembranças,
eu sei:
não cedo minha liberdade a ninguém.
Meu afeto é doce, sim.
Mas minha liberdade é sagrada.
E quem quiser ficar,
que venha com as mãos abertas,
não com correntes.
Neide Rodrigues
Enviado por Neide Rodrigues em 20/11/2025
Alterado em 20/11/2025
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.