973/2025 - Na Mesa da Boemia
Na Mesa da Boemia
Neide Rodrigues
Abdiquei de milhões de caminhos,
pra seguir o canto leve da noite,
onde o riso é livre,
e a alma acende como lampião de botequim.
Sou feliz assim, sem cerimônia,
errante por entre copos e canções,
feito vento que passa sem dono,
feito saudade que nasce sem motivo.
Que falem de mim — bem ou mal,
que apontem meus passos tortos,
meus amores curtos,
minhas horas longas demais.
Só não deixem meu nome morrer no esquecimento.
Porque, se um dia ninguém me chamar,
se a memória se calar como garçom cansado,
então morrerei de tristeza,
na mesma mesa onde brindo à vida,
e à liberdade que ela me deu.
Neide Rodrigues
Enviado por Neide Rodrigues em 16/11/2025
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