A Casca de Banana Rebelde
Neide Rodrigues
Outro dia eu caminhava tranquila pela rua, observando o movimento, sentindo o vento no rosto e pensando nas histórias que gosto de contar como boa guia de turismo que sou. Foi então que levei um susto daqueles: escorreguei numa casca de banana que me deixou estatelada no chão!
- Putz! Exclamei. Quem foi o mal-educado que jogou isso na rua?
A casca, ali do meu lado, parecia até zombar de mim. Se tivesse olhos, acho que piscaria.
Depois do susto, respirei fundo e me levantei, ajeitando a roupa, a dignidade e o humor.
Porque, veja bem, desde que me formei como guia de turismo, aprendi que a cidade é como uma casa aberta para todos, e o mínimo que podemos fazer é cuidar dela com carinho.
Peguei a casca com delicadeza (e um pouco de indignação), levei até a lixeira e segui meu caminho. Rindo sozinha, imaginei que, se tivesse pernas, a casca teria fugido de vergonha.
E eu?
Depois desse pequeno episódio, segui instruindo quem estivesse por perto, porque ensinar a cuidar do mundo nunca é demais.
E, se for preciso, repito quantas vezes for:
Cuidar da cidade é cuidar da gente.
Crônica de 23 de agosto de 2008
Reeditada em 13 de novembro de 2025