961/2025 - Cordel: Amor que o Vento Levou
Cordel: Amor que o Vento Levou
De Neide Rodrigues
No sertão de Boa Esperança,
morava Rosa Flor do Sertão,
mulher forte, de alma doce,
com coragem no coração.
Tinha o riso feito aurora,
e um sonho em cada canção.
Conheceu Zé Valente, um moço,
que falava bonito demais,
prometia amor eterno,
mas mentia por trás dos ais.
Fez juras sob a lua cheia,
sem saber o que amor faz.
Rosa deu tudo de si,
entregou corpo e verdade,
fez do amor o seu abrigo,
do afeto, uma eternidade.
Mas Zé só deixou saudade,
mentira e falsidade.
Foi carinho, foi presença,
foi mulher de coração,
enquanto ele, por descuido,
virou pura ilusão.
Desprezou o sentimento,
fez pouco de tanta paixão.
Hoje Rosa não se abala,
não se perde em lamento, não.
Aprendeu que o amor-próprio
vale mais que uma traição.
Deu adeus a Zé Valente
com força e decisão.
“Não te quero, nem te espero,
segue o teu caminho, rapaz.
Me esquece como mulher,
que o meu tempo não volta mais.
Quem despreza amor sincero
não conhece o que é paz.”
E o vento levou seu pranto,
mas deixou a lição no chão:
quem ama e não é amado
ganha em superação.
Rosa agora é flor sozinha,
mas brota do próprio chão.
Zé Valente anda perdido,
sem rumo, sem direção.
Soube tarde que a Rosa
valia mais que o sertão.
Mas o amor que foi sincero
virou pó na contra-mão.
Assim termina a história
de Rosa e de Zé Valente,
um amor que foi engano,
mas fez dela resistente.
E o povo lá do sertão
diz: “Rosa é mulher valente!”
Natal, junho de 2025
Neide Rodrigues
Enviado por Neide Rodrigues em 04/11/2025