Poetisa Neide Rodrigues
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948/2025 - A Princesa do Reino Uruá
🌙 A Princesa do Reino Uruá
Cordel de Neide Rodrigues

Isabela era menina,
de cabelo cor de sol,
corpo fino, alma divina,
morava ao pé do farol,
na alma trazia a sina,
de um amor feito arrebol.

Tímida, doce, criança,
sempre fiel aos seus pais,
vivia em plena bonança
com pureza nos ideais,
no paço Areia Branca,
morava feliz demais.

Vivia entre mar e areia,
num castelo à beira-mar,
onde a brisa sempre cheia
vinha o véu dela tocar,
parecia uma sereia
que encantava o luar.

Apelidada de Branca de Neve,
pela pele alva e macia,
tinha olhar doce e leve,
cheio de melancolia,
um encanto que se atreve
a rimar com poesia.

Não desgrudava dos pais,
vivendo em sonhos e paz,
a Princesa de Uruá, no cais,
sorria com a luz que traz,
tinha o coração de menina,
e um brilho que a tudo refaz.

Mas o reino andava aflito,
com rumores pelo chão,
de que um bruxo maldito
tramava traição,
querendo tomar o castelo
e roubar-lhe o coração.

Diziam vir do sertão,
com poder e feitiçaria,
espalhava maldição
com sua bruxaria fria,
trazia no coração
ciúme e negra magia.

Foi então, numa tardinha,
que chegou de pés no pó,
um rapaz de calça curtinha,
montado num jumento só,
trazia viola e cantiga,
e um olhar sereno e dó.

Chamava-se Bento Luna,
violeiro e cantador,
vinha à sombra da fortuna
do riso encantador,
trazia consigo a bruma
do sonho e do dom do amor.

Cantou na feira e praça,
versou cordel de paixão,
a princesa, da vidraça,
sentiu bater o coração,
e um sorriso sem graça
fez seu rosto cor de açafrão.

O bruxo, ao ver aquilo,
rugiu feito um trovão:
— “Essa moça é meu brilho,
ninguém rouba meu quinhão!
Com feitiço e artifício,
vou impor minha paixão!”

Foi então que o céu se abriu,
a lua cheia brilhou no mar;
do rio da gruta surgiu
a fada para a história mudar,
com brilho, voz e encanto sutil,
veio a todos salvar.

A fada era luminosa,
vestida em véu de luar,
trazia uma flor formosa
que brilhava sem parar,
com poderes de proteger,
e o mal iria afastar.

— “Sou guardiã da correnteza,
das águas do Uruá-mar,
vim salvar tua pureza
e o amor que vai brotar,
com meu poder de encanto,
ninguém poderá roubar.”

Tocou leve a face da moça,
fez sinal para o cantador,
e uma luz, doce e formosa,
envolveu Bento e o amor,
trazendo paz ao coração,
e dissipando toda dor.

O bruxo, enciumado,
ergueu o cajado no ar,
fez surgir vento pesado
e o céu começou a girar,
mas a fada com seu brilho
não deixou o mal triunfar.

Trovejou por todo o reino,
as muralhas a estremecer,
Isabela, entre o medo e o sonho,
jurou nunca se render,
com coragem que iluminava,
ninguém podia detê-la, pode crer.

O violeiro, destemido,
cantou forte pra lutar:
— “Meu amor é meu abrigo,
nenhum feitiço vai quebrar!
Estando a princesa em perigo,
só Deus pode me salvar.”

A viola se fez espada,
o canto virou clarão,
e a fada, com mão sagrada,
selou o poder do coração,
o bruxo viu seu plano perdido,
diante da luz da razão.

O bruxo virou poeira,
soprado por forte vento,
e a princesa, por inteira,
sorriu no encantamento,
Bento correu para abraçá-la,
celebrando o sentimento.

Desde então, no Reino Uruá,
reinou paz no coração,
Isabela e Bento Luna
foram luz e inspiração,
todos cantavam alegres,
celebrando a união.

O amor venceu o encanto,
fez o bruxo se apagar,
e o povo diz em canto
que o bem sabe triunfar,
Isabela e Bento sorrindo,
para sempre a amar.

O amor tem a força da alma,
mesmo em meio à escuridão,
há de ver nascer do nada
a luz da libertação,
fazendo o bem renascer sempre,
e acendendo o coração.

Natal, 22 de outubro de 2025





































Neide Rodrigues
Enviado por Neide Rodrigues em 22/10/2025
Alterado em 27/10/2025
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