Dama-da-Noite
Neide Rodrigues
A boemia viveu comigo — contigo,
no teu abraço encontrei o abrigo.
Nas madrugadas, o riso, o olhar,
eram promessas do amor no ar.
Vêm as lembranças, em tom de prata,
película rara que o tempo retrata.
No ar, dama-da-noite, perfume e doçura,
lembram-me o toque da tua ternura.
A meia-lua, fria, no firmamento,
reflete o brilho do meu tormento.
É noite de outubro, suave e rosa,
essa saudade cruel, teimosa.
O instante se desfaz...
a solidão vem — e nada mais.
Volto à realidade, nua,
última nota do samba pra lua. 🎶