910/2025 - Memórias de Areia Branca
Memórias de Areia Branca
I
Cresci na areia tão branca,
no verde da mata a brilhar,
mas logo virou canavial,
a floresta a se apagar.
Depois vieram os lotes,
a terra a se doar.
II
Cresci em meio à cantiga,
do Mamulengo a encantar,
nos dengos dos meus avós,
sempre prontos a amar.
Infância que foi raiz,
tempo bom a recordar.
III
Na venda do meu pai eu via
as cuias do Cuité,
medidas de mil tamanhos,
sabedoria de quem é.
A simplicidade moldava
a vida como ela é.
IV
Entre repente e a viola,
serenatas ao luar,
vagalumes bordavam a noite,
a lua vinha iluminar.
Borboletas nas flores,
infância a se encantar.
V
À tarde, no terreiro alvo,
rodas giravam a cantar:
“Passarás... passarás...” ecoava,
“Fui na Espanha...” a embalar.
O cravo brigava com a rosa,
e a meninada a brincar.
Neide Rodrigues
Natal, 18 de setembro de 2025
Neide Rodrigues
Enviado por Neide Rodrigues em 18/09/2025
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