Silêncio em Cinzas
Neide Rodrigues
Foste-te… e em mim só o vazio ficou
Um eco triste em cântico quebrado
Meu coração no abismo sepultado
E barco à deriva sem rumo naufragou.
Minhas mãos frias, meus olhos sem teu olhar
Tão inteira em ti, rasgada em meu sofrer
A dor que corta mais que aço a doer
No tempo cruel que não posso apagar.
Se eu pudesse roubar do tempo o adeus
E apagar a lembrança que me fere
A chama eterna acenderia outra vez.
Mas tudo é cinza, nada mais me aquece,
Nem a morte traz consolo ou alívio,
Deste amor que se foi e ainda me enternece.
Natal, 07 de junho de 2025