*Estações da Alma
Separação Cruel
Ah, Separação cruel, que em mim te demoras,
Como sombra antiga que não quer partir,
Desfolhas o peito nas mesmas horas,
E fazes da vida um não saber existir.
És fado sem voz, és luto sem nome,
Um silêncio que sangra por dentro de mim.
E a alma, cansada, de saudade se consome,
Preso a um amor que não chega ao fim.
Vago entre ausências, sem norte e sem guia,
Com a consciência ferida no amar,
E tudo em mim grita o que em mim morria,
Num tempo que insiste em não me soltar.
Tempestade que habita o que sou por inteiro,
Cruz que me habita sem me perguntar,
Arrasto correntes de um sonho primeiro,
Que aprendeu comigo a naufragar.
Neide Rodrigues
Natal, 07 de junho de 2025