Crepúsculo da Alma: IV. O Orgulho
(em memória de um amor desfeito)
Por Neide Rodrigues
Não peço mais, nem choro, nem imploro,
Não quero teu regresso, nem teu beijo.
Que se desfaça em pó todo desejo,
Que morra em cinzas o que foi tesouro.
Se me deixaste, eu mesma me sustento,
Sou dor, sou chama, sou meu próprio alento.
Não há ferida capaz de me abalar,
Nem há silêncio que me faça calar.
Não há vitória em luta tão perdida,
Não há consolo em lágrima caída,
Mas hà meu silêncio... e nele vou morar.
E quando enfim, sem dor, chegar o fim,
Descansarei no nada, longe de mim,
Livre da cruz atroz de te lembrar.
Natal, 31 de julho de 2025.