Crepúsculo da Alma: III. O Corpo
(em memória de um amor desfeito)
Por Neide Rodrigues
Recordo ainda o ardor da tua pele,
O fogo aceso em cada beijo dado,
E teu olhar, punhal desesperado,
Que em mim tornava o mundo tão dele.
Meu corpo clama o teu, mas em seu leito
Não encontra alívio, nem porto perfeito;
É sede eterna em rio evaporado,
É fome em boca que de pão é privado.
Que vale o sonho, a febre, o delírio,
Se em minhas mãos só resta o vazio,
E em minha boca só resta a secura?
Amor cruel, que ainda me fere,
O teu calor já não me vem aquecer,
Paixão que arde… mas não permanece.
Natal, 30 de julho de 2025