Crepúsculo da Alma: II. A Prece
(em memória de um amor desfeito)
Por Neide Rodrigues
Se foi destino, aceito a sentença,
Pois não se luta contra o eterno fado;
Levo comigo o sonho já passado
E guardo em mim tua lembrança intensa.
Peço ao silêncio: “Sê minha recompensa”,
Peço à saudade: “Não sejas pecado”,
E à solidão, que caminha ao meu lado,
Que seja mansa e não faça ofensa.
Talvez o tempo cure este desgosto,
Talvez a dor se torne apenas rosto
De antiga mágoa a me fazer sorrir.
E se não for… que a vida seja calma,
E que a memória não rasgue minha alma,
Pois já não peço mais que existir.
Natal, 25 de julho de 2025