Crepúsculo da Alma: I. O Grito
(em memória de um amor desfeito)
Por Neide Rodrigues
Partiste! E o mundo inteiro se desfez,
Desmoronou-se em cinza e em ruínas frias,
Meus olhos são oceanos sem marés,
Minhas mãos, desertos sem águas nem vias.
Grito teu nome nas noites sombrias,
Mas nenhum eco responde à minha voz;
E o coração, ferido em agonias,
Morre mil mortes, sem alívio, sem nós.
Amor cruel! Amor que me consome,
Que arranca a vida, o riso e meu nome,
Deixando apenas sombra, pó, lamento.
Oh, maldição! Que a própria morte tarda,
E cada instante, como lâmina que arda,
Corta meu peito em fogo e tormento.
Natal, 17 de julho de 2025