Do Fundo do Meu Coração
Eu não ando bem.
Talvez não devesse dizer isso,
mas a verdade
é que prefiro sofrer todos os dias
a viver sem você.
Isso não é me menosprezar,
é cuidar do que sinto,
do meu bem-estar —
talvez até do seu.
As pessoas dizem que foi melhor assim,
que o afastamento me faz bem.
Mas só o corpo se afastou;
meu coração permanece contigo.
E dói.
Decidi depois daquela conversa,
quando você disse que
“a minha presença o importuna”.
Foi a única forma de não cair nos teus braços.
Mas ainda sofro sem você.
Preciso de alguém que esteja presente,
que me dê atenção,
que faça companhia.
Talvez seja fácil encontrar quem o faça,
mas o amor por você...
o que faço dele?
Amor não se transfere.
Hoje, não saio tanto como antes;
refugio-me na poesia.
Se você me perguntasse:
“é melhor assim?”
Eu diria que não.
Mesmo raros, nossos encontros me bastavam.
Eu te tinha, e era feliz.
Mas sua indiferença se fez maior que os momentos.
E isso me entristeceu.
Ainda assim,
eu viveria tudo outra vez.
Fui feliz contigo.
Sorri.
Fui eu mesma.
Chorei de saudades
quando não podia te ver.
Hoje choro porque não tenho mais você.
Do amanhã, não sei.
Só sei que, de alguma forma,
Deus proverá.
...E assim tem sido
sem você comigo.
Me entreguei à poesia:
ela é meu castelo de sonhos,
onde deixo minhas angústias,
meus anseios e verdades;
onde me desmancho inteira,
mas me reconstruo.
A poesia é refúgio,
é bálsamo,
é o espaço onde renasço.
Neide Rodrigues
Natal, 18 de agosto de 2025
Nota:
Este poema nasceu da saudade, da dor e da entrega à poesia como espaço de cura, amor e renascimento. Cada verso reflete momentos felizes e tristes, eternizados no coração e nas palavras.