Poetisa Neide Rodrigues
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*Estações da Alma

Alvorada

Neide Rodrigues

 

Havia um tempo feito de alvorada,
Com mãos pequenas colhendo jasmins.
A brisa era riso em manhã dourada,
E os dias dançavam como querubins.

 

As sombras eram fantasmas disfarçados,
Nos jardins dos sonhos encantados.
Na alma florescia a mais doce ternura,
Como flor de infância sempre cultivada.

 

Ouço os sinos da antiga capelinha,
O pão com doce, o canto do sabiá.
Minha boneca dorme na caixinha
Que a eternidade jamais guardará.

 

Mas trago em mim...entre rugas e prantos,
A flor que plantei com dedos de sol.
Quando a vida pesa com seus espantos,
Me abrigo, menina, sob o arrebol.

 

 

Nota:

Esta poesia, originalmente inspirada em 2005 no bairro de Areia Branca, em Canguaretama, sob a sombra acolhedora de uma jaqueira e com as lembranças da Capela do Cunhau, foi cuidadosamente lapidada em julho de 2025. 

 Imagem: Canva

Neide Rodrigues
Enviado por Neide Rodrigues em 16/08/2025
Alterado em 24/05/2026
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