*Estações da Alma
Neide Rodrigues
Havia um tempo feito de alvorada,
Com mãos pequenas colhendo jasmins.
A brisa era riso em manhã dourada,
E os dias dançavam como querubins.
As sombras eram fantasmas disfarçados,
Nos jardins dos sonhos encantados.
Na alma florescia a mais doce ternura,
Como flor de infância sempre cultivada.
Ouço os sinos da antiga capelinha,
O pão com doce, o canto do sabiá.
Minha boneca dorme na caixinha
Que a eternidade jamais guardará.
Mas trago em mim...entre rugas e prantos,
A flor que plantei com dedos de sol.
Quando a vida pesa com seus espantos,
Me abrigo, menina, sob o arrebol.
Nota:
Esta poesia, originalmente inspirada em 2005 no bairro de Areia Branca, em Canguaretama, sob a sombra acolhedora de uma jaqueira e com as lembranças da Capela do Cunhau, foi cuidadosamente lapidada em julho de 2025.
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