848/2025 - Jardim da Infância Perdida
* Estações da Alma
Jardim da Infância Perdida
Por Neide Rodrigues
Havia um tempo feito de alvorada,
com mãos pequenas colhendo jasmins.
A brisa era riso em manhã dourada,
e os dias fluíam como jardins sem fim.
As sombras ainda não tinham nome,
o medo era só jogo inventado.
Um campo onde a ternura dorme,
sem nunca deixar de ser habitado.
Ouço os sinos da velha capelinha,
o pão com doce, o canto do sabiá.
Minha boneca dorme na caixinha
que a memória insiste em guardar.
Mas trago em mim, entre rugas e prantos,
a flor que plantei com dedos de sol.
E quando o mundo me pesa em tantos,
me abrigo, menina, sob o arrebol.
Natal, 07 de agosto de 2025
Neide Rodrigues
Enviado por Neide Rodrigues em 07/08/2025
Alterado em 18/06/2026
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