*Estações da Alma
Ao Avesso do Agora
Neide Rodrigues
um som descalço
atravessa o que não houve
nuvens respiram memórias
jamais lembradas
há um azul sem margem
derramando olhos nas pedras
com sede do que não aconteceu
o tempo mastiga
as margens do instante…
sem dentes, sem pressa
asas brotam do silêncio
em corpos que nunca tocaram o chão
a cor não nasceu,
mas já desbotou
e o mundo...
apenas um eco
que ainda não chegou
*Poema escrito em 2022, inspirado no vazio e no silêncio deixados pela pandemia.