*Estações da Alma
Neide Rodrigues
O livro foi uma ponte
Que a levou até ele.
Apaixonou-se à primeira vista.
Nunca ousara olhar sua alma,
Nem mergulhar naqueles olhos pixaim,
Miúdos, cheios de mistério.
Encarou a verdade nua e crua:
Amava-o mais do que conseguia esconder.
O tempo passou, as estações também.
Primaveras viram o amor florir,
Intenso, em seu ápice a reluzir.
Ela se entregou sem reservas
E foi feliz à sua maneira.
Guardou como tesouro aquele amor.
Mas vieram os invernos.
O calor se fez distante
E, num outono qualquer,
O amor desfolhou.
A saudade consome,
Amarga como jiló.
Dentro do peito, um grito preso,
Fome de dizer:
— Eu te amo, meu condor!
Tantas palavras que não se traduzem,
Nem o coração consegue explicar.
São silêncios que gritam sem dizer nada
E chegam onde só o amor sabe ouvir.
Natal, 29 de julho de 2025.