*Estações da Alma
Brinde à Dor de Amor
Brinda-se à dor com falsa leveza,
Como quem finge que já não sente.
E entre o riso e a incerteza,
Vai-se afogando o que está ausente.
Há quem cure a saudade em copos,
Na pressa de esquecer o que ficou.
Mas há dores que, mesmo em goles,
Não se rendem ao que passou.
Na taça, um brilho que engana,
Um instante que tenta aliviar.
E a noite, com sua velha trama,
Aprende também a silenciar.
E assim se segue, entre brindes e vazios,
Levando o que não se diz no peito.
Porque há amores que nem o tempo,
Nem o vinho, sabem desfazer por inteiro.
Neide Rodrigues
Cidade Nova/Natal, 21 de julho de 2025
Membro da Academia de Letra de Canguaretama Cadeira n⁰ 3
Patrono André de Albuquerque Maranhão
Membro da SPVA - sociedade dos poetas vivos e afins do Rio grande do Norte
Membro da ALAMP - Associação literária e artística de mulheres potiguares