*Estações do Amor
Quando eu abrir minha alma,
Sem véu, sem máscara, sem disfarce,
Respeite. Apenas fique olhando...
Porque alma aberta é coisa séria.
Se te espantares com meu jeito de ser,
Não cuspa veneno nem desvie o olhar,
Nem fuja do medo de também se mostrar.
O olhar que fere também tem medo de se ver.
Minha alma é flor do mato, cheirosa, mas de raiz,
Precisa de mão leve e olhar que saiba compreender.
É sonho com o pé no chão batido,
Cuidando da esperança que insiste em nascer.
Minha alma é água de cacimba,
Limpa, vindo fundo da terra de casa.
Quem quiser se molhar, que saiba nadar:
Ora é maré mansa, ora é mar bravio.
Se tua alma encontrar a minha,
Que elas se reconheçam irmãs,
E façam morada, uma na outra,
Como dois rios virando um só.
Neide Rodrigues
Natal, 01 de julho de 2025