Incógnita do Amor
Entre o quase e o talvez, eu existo,
um nome que o tempo ainda não decidiu dizer.
Sou página aberta ao acaso do instante,
onde ninguém termina de me ler.
Há um silêncio que me atravessa inteira,
como se amar fosse sempre um pouco ausência.
Sou o que fica suspenso entre dois passos,
um sentir que não encontra permanência.
Às vezes sou mar sem porto que me nomeie,
outras, miragem que insiste em permanecer.
Sou o que respira entre chegadas e partidas,
um corpo de dúvida a aprender a ser.
Não me prendo, não me solto por completo,
sou vento que não escolhe onde pousar.
E se me perguntam o que somos de verdade,
sou só o que ainda não sabe se ficar.
Natal, 20 de junho de 2025.