Poetisa do Sentir
✍️ Neide Rodrigues
Escrever, para mim, nunca foi vaidade;
foi necessidade, um sopro de vida.
É como respirar por palavras
quando o mundo silencia e o coração insiste.
Há quem diga que a poesia deve ser técnica, fria, medida...
Mas eu escrevo com febre,
com a alma em carne viva,
com os olhos marejados
e o coração pulsando entre uma rima e outra.
Minha poesia nasce do que me atravessa:
um amor que ficou, uma ausência que dói,
um olhar, um gesto, uma saudade antiga.
Nasce também da fé que carrego,
da ternura que cultivo,
da vida que me toca; às vezes com delicadeza,
outras com dureza.
Sou feita de muitos lugares e muitas gentes.
Canguaretama me ensinou o chão e a coragem.
Portugal me ensinou a ausência e o recomeço.
Natal me abraça com seu céu aberto e manhãs brandas.
E tudo isso se mistura em mim, feita maré.
Minha escrita é esse mar que não sabe ser raso.
Se você me lê, saiba:
não está apenas lendo versos;
está adentrando minha essência.
Leve-me com calma, com escuta, com alma.
E talvez, em meio aos meus sentimentos derramados,
você encontre os seus também.
Natal, 17 de junho de 2025