*Estações da Alma
Chuva e Travessia
Neide Rodrigues
Chove… e eu apenas escuto
Os pingos no telhado a cantar.
Uma quietude abraça a alma,
E a paz pousa, serena, no instante.
Os lírios não tecem nem fiam,
E ainda assim, em beleza se ampliam.
Deus os reveste com graça e primor,
E também cuida de nós, com igual amor.
A carga da vida não se nega,
Nem se altera a nossa travessia.
Os sonhos tecidos em fim encantado
Se quebram no real atravessado.
Chove lá fora, o dia é cinzento,
E há tempestades que habitam o peito.
Mas mesmo no frio da rua vazia,
Há quem resista entre fé e poesia.
Natal, 18 de junho de 2025