Ela Amou Como Ninguém
Neide Rodrigues
Ela amou como mais ninguém havia amado.
Entregou-se inteira, sem reservas, sem temor.
E ele… ele foi se afastando aos poucos.
Ela percebia —
mas calava, fingindo não ver tamanha covardia.
Era mais um sonho
escorrendo silencioso de sua entranha.
E quando, enfim, assumiu que o perdera,
a dor se aquietou.
O mundo, sutilmente,
voltou a se ajeitar no seu dia a dia.
Numa bela tarde,
ela ergueu os olhos ao céu
e se pôs a contar estrelas —
coisa proibida na sua infância.
Ali, naquele infinito bordado de luz,
descobriu possibilidades:
de brilhar,
de ser vista,
de ser amor.
E amar muito mais…
Quem mereça.
Quem deseje, verdadeiramente, ser amado.
Natal, 09 de maio de 2025