* Estações da Alma
Recomeçar
Às vezes me engano em mim mesma,
E digo palavras que não são vento,
Como se a verdade tivesse um nome
Esquecido no movimento do tempo.
Pareces distante do que fui em ti,
Ou talvez eu mesma tenha me apagado,
Sou alguém que ainda vive aqui
Entre o que ficou e o que foi levado.
Há em mim um silêncio que não se desfaz,
Uma memória que insiste em permanecer,
Como se o tempo, ao não olhar para trás,
Ainda soubesse onde me perder.
Queria desatar o nó do que passou,
E voltar ao instante que não feriu,
Mas tudo em mim já se transformou
No que o próprio tempo nunca corrigiu.
— Neide Rodrigues, 04 de janeiro de 2025.
Membro da Academia de Letras de Canguaretama
Cadeira número 03
Patrono André de Albuquerque Maranhão