Canguaretama: Chão de Mártires, Fonte de Poesia
✍️ Poesia por Neide Rodrigues
Canguaretama não é apenas o lugar onde nasci.
É solo sagrado, onde a fé foi regada com sangue
e a esperança nunca cessou de florescer.
Poesia
Antes de tudo, era chão,
aldeia viva em oração,
engenho, povo, altar sagrado,
solo fértil, abençoado.
Sangue verteu, o chão gemeu,
em 1645 o céu escureceu.
Setenta vozes, mãos erguidas,
rezavam... deram suas vidas.
Padre e povo, luz ardente,
sangue puro, alma crente,
na Capela, a fé não cedeu,
e um santuário ali nasceu.
A palma conta essa história,
com o vento a sussurrar:
foi martírio, é memória,
mas Canguaretama sabe amar.
Fez-se vila, se elevou,
com coragem, se firmou.
De mar e sol é feita a chama
que acende o nome: Canguaretama.
Do martírio à consagração,
de vila à cidade: transformação,
cento e sessenta e sete anos de fundação;
nosso peito vibra de emoção.
Não se fala só do passado,
mas do povo abençoado
que resiste e que floresce,
e a sua origem nunca esquece.
Sou filha dessa terra altiva,
que em cada dor se fez mais viva.
Aqui, escrevo em sal e flor
meus versos cheios de amor.
Canguaretama, meu lugar,
onde o Brasil veio brotar.
Chão de mártires, fé semente,
e poesia eternamente.